Conheça nosso enredo!
- há 22 horas
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Em 2027, a Mocidade Alegre irá singrar mares nunca dantes navegados com a história da “Nau Catarineta”. A saga narra uma embarcação à deriva por sete anos e um dia, encarando a fome, o medo da morte e diversas tentações, sendo salva pela intercessão divina. Trazida da Europa para o Nordeste, essa narrativa transformou-se em uma metáfora das incertezas e da fragilidade humana diante da imensidão do oceano, representando a aflição e a busca por um porto seguro através do imaginário popular. Convidamos a todos a se tornarem marujos dessa travessia simbólica tecida pelo imaginário popular, no qual o mar se torna o cenário de um embate primordial entre o sagrado e o profano, o medo e a coragem, o real e o poético.
Vestimos o manto armorial de Suassuna e Antônio Nóbrega e o colorido festivo de foliões de fandango, chegança e da marujada. Com o toque do violão, do cavaquinho e do atabaque, a Catarineta transmuta-se em auto popular, assumindo novos contornos e cores. Vamos exaltar a glória de um Nordeste gigante, denso, poético, que inspira muitas artes e tradições. Com isso, buscamos retratar essa tão rica região brasileira para além dos estereótipos da seca e do sofrimento, afinal, nosso enredo se passa em alto-mar.
No balanço das águas tortuosas, a Mocidade Alegre fará do Anhembi o seu oceano, seguindo sua vocação de revelar ao mundo riquezas culturais do nosso país. A bordo da nossa fantástica embarcação faremos mais uma travessia épica. Cientes de que se as águas são incertas, a nossa fé é o nosso porto seguro, sem temer os perigos que nos fazem maiores. A tempestade não nos amedronta, pois somos guiados pela luz da nossa ancestralidade e pela bússola da vitória.
Preparem-se, vamos içar as velas, pois a nau vai zarpar!
SINOPSE
I. “Nós somos marinheiros dessa Nau Catarineta”
Boa noite, minha gente! A todos venho saudar,
Sou mestre da chegança e venho lhes contar
Um relato de bravura que vai lhes espantar,
Prestem muita atenção nessa história de pasmar!
É lenda muito antiga, do tempo em que se navegava,
Cruzando o grande abismo que os mundos separava.
Diziam que uma grande nau, pelo ouro que carregava,
Piratas e tormentas, com bravura, enfrentava.
Lá na linha do Equador, armou-se uma ventania
Anunciando uma tempestade que há muito não se via.
Oh, que aguaceiro desmedido, que se forma devagar
Pobre Nau Catarineta, o seu fado é de amargar.
Passava mais de ano e dia, que iam a cruzar o mar,
Já não tinham o que comer, já não tinham que manjar.
A tripulação seguia à deriva, sem ter onde se amparar,
O desespero era tanto, que pensavam em se matar.
II. “A vida do marinheiro é uma vida de labor”
Sob as tábuas do convés, uma moça se escondia
Era uma tal Saloia, que com dois tipos convivia
O cozinheiro Ração que já nada mais servia
E o zelador Vassoura, que tudo via e sentia.
A cada novo sol, Ração nada tinha a preparar,
Com a fome de espanto, devoraram o rato e o cão,
Sola de sapato no molho serviu de refeição
Até que na sorte decidiram comer o próprio capitão.
No meio de tal aflição, o capitão precisou agir
Ordenou ao marujo mais forte que ao mastro fosse subir,
No mais alto que pôde, o norte não mais se via
O gajeiro avistou a morte em vez da luz do dia,
Foi assim que num lampejo sua face se escurecia:
“Alvíssaras, meu capitão! Vejo terra no horizonte e até além,
Três moças sob um laranjal, como igual não há ninguém.
Vejo o brilho de muito ouro! Mas para o senhor lá chegar,
Haverá de ter um preço para me agradar.”
Revelou-se então o próprio diabo em voz de tentação e calma,
Para alcançar a terra só servia o tesouro daquela alma.
III. “Fazemos oração pra em nossa viagem termos a proteção”
O capitão ofereceu de tudo para contentar o forasteiro,
E com medo, a tripulação se estremeceu por inteiro,
mas o cramunhão encarnado se mostrou mais traiçoeiro:
"Não quero ouro nem riqueza, nem a nau pra eu mandar
Quero a alma de todos para ao abismo eu os levar"
Em meio à adversidade, o Capitão não cedeu a tal heresia
Renegou o tal demônio e ao divino manto se valia
Toda a tripulação, num só ímpeto, se alvoroçou,
Levaram os joelhos ao chão, em forma de clamor:
“Nossa Senhora da Guia, todos os louvores tu deténs
Viemos pedir mil graças para sempre amém”.
Em uma verdadeira oração, pediam a soberana proteção
O tinhoso riu com raiva, sem piedade ou compaixão.
"Renego de ti, demônio que me veio aqui tentar
Minha alma é só de Deus, meu corpo eu dou ao mar".
Antes que a alma do comandante o fundo do mar alcançasse,
Veio um anjo e a Nossa Senhora em socorro ao peregrino.
Rugiu o satanás vendo o tormento se esvair;
E, naquela mesma noite, a nau viu o porto reluzir.
IV. “Gritemos todos vitória, vitória meu capitão”
Muito tempo se passou, mas essa história antiga se guardou,
Pois em todos nós ainda ecoa esse apelo de sofrimento e dor.
Mesmo que as ondas da angústia tentem o peito naufragar,
Surge o sopro da esperança que nos faz navegar.
Foi assim que lá no Nordeste, a Nau se fez poesia.
Aos poucos se transformando em estandarte da alegria,
Virou canto de marujo, virou dança à beira-mar.
Nas cheganças, nos fandangos, vive sempre a navegar.
São lembranças que nos guiam para o sucesso que há de vir,
Nossa rota vai sendo traçada pelo sonho que persistir…
Pois enquanto houver um peito que se deixe emocionar,
Na memória do nosso povo, essa velha lenda sobreviverá.
Enredo de Caio Araújo e Leonardo Antan
Texto de Leonardo Antan

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