Mocidade Alegre: "Espelho" do Seu Criador!
A Mocidade Alegre, tradicional Escola de Samba paulistana, completou neste mês de setembro último 42 anos e orgulhosamente carrega em sua identidade duas características herdadas de Juarez da Cruz, o seu “Criador”: apego às tradições e constante busca por inovações!
Desde sempre, a Mocidade Alegre, na figura de seu Baluarte-Mestre, apresentou-se como “Morada” àqueles que desejassem saciar a sede de cultura popular brasileira na sua manifestação mais autêntica: o samba.
Recebendo calorosamente aos que chegassem, independente de credo, raça, classe social ou orientação sexual, Juarez mostrou aos seus que a “Morada do Samba” – como nossa Escola foi carinhosamente apelidada por sambistas de outras agremiações pela receptividade sem igual – deveria assumir o perfil de agremiação que acolhe sem olhar a quem... que aproxima o erudito do popular... que abre suas portas aos acadêmicos para que estes possam – ou tentem – equacionar as origens de tamanha nobreza cultural... que valoriza o passado como condição de um presente vitorioso e zeloso de suas raízes.
Devemos à personalidade forte, visionária, vaidosa e sagaz de nosso fundador a quintessência de tudo o que somos e fazemos até os dias de hoje: somos tradicionais, mas inquietos e curiosos por novos caminhos... pacíficos, mas altivos no respeito ao nosso pavilhão... acolhedores, mas zelosos do bom andamento da nossa casa... vaidosos a ponto de cantar e encantar a passarela com um gingado sinuoso e muito nosso!
Talvez, quem chegue hoje ao nosso chão e se maravilhe com a alegria espontânea e o forte peso de história afetiva no ar não perceba, num primeiro momento, de onde vem esta energia singular que envolve nossa casa, nosso povo, nossa família... mas é dever, orgulho e glória para qualquer sambista do Bairro do Limão dizer que somos o “espelho de quem nos criou”, e que esta luz que reflete nossa identidade tem nome e sobrenome: Juarez da Cruz!
Acompanhe aqui alguns dos feitos do nosso eterno presidente de honra que colocaram a Mocidade Alegre na vanguarda do samba paulistano:
Juarez da Cruz...
...Conduziu a Mocidade Alegre ao tricampeonato (1971, 1972 e 1973) logo nos seus três primeiros anos no grupo de elite do carnaval;
...Fez da Mocidade Alegre a primeira Escola de Samba paulistana a se apresentar no exterior (Ilha da Madeira, Portugal) a convite do Ministério da Cultura;
...Inovou ao fazer da nossa Morada do Samba a primeira agremiação de São Paulo a apresentar em seu desfile uma comissão de frente coreografada, alas com adereços de mão e destaques sobre os carros alegóricos;
...Instituiu, em 1972, a mais tradicional festa de aniversário das Escolas de Samba paulistanas: as 24 Horas de Samba;
...Instituiu, em 1972, a Galeria dos Sambistas Imortais da Morada do Samba, cujo intuito é valorizar grandes nomes de destaque em defesa das tradições e do crescimento do carnaval paulistano;
...Criou o título de Sambista Raíz, ofertado aos integrantes da Mocidade Alegre, consagrando nomes de grande vulto e importância para a grandeza da agremiação;
...Criou a comenda Rosa de Ouro aos grandes Baluartes que trabalharam pelo crescimento da Mocidade Alegre em seus primeiros dez anos de existência;
...Instituiu a Galeria dos Poetas da Morada, formada pelos compositores vencedores de samba enredo na Mocidade Alegre. Aos nossos poetas foi concedido o “Troféu Candeia” (homenagem ao Mestre Candeia – Presidente de Honra da Ala de Compositores da Morada do Samba na década de 70);
...Incentivou o Departamento Social a criar a Noite da Imprensa, cujo objetivo era apresentar ao público em geral e à mídia carnavalesca as fantasias para o carnaval que se aproximava;
...Incentivou Professor Ivo, da Mocidade Alegre, na fundação do primeiro Departamento Cultural das Escolas de Samba de São Paulo, no intuito de valorizar os fundamentos e as tradições sambísticas como autenticas manifestações da cultura popular brasileira, aproximando a agremiação do meio acadêmico e científico.
Importante: Vale aqui ressaltar que é do Professor Ivo, então Diretor Cultural da Mocidade Alegre, o Juramento do Sambista (texto proferido até os dias de hoje nos rituais de batismo de associações, agremiações e membros da comunidade sambística) e apresentado por Juarez da Cruz no 1º Simpósio do Samba.
É com sacrifício, suor e até lágrimas que procuramos manter
sempre elevado o conceito da Mocidade Alegre!!!
(Juarez da Cruz, 1975)
Departamento Cultural - G.R.C.E.S. Mocidade Alegre